Exposição “Time Lapses: No Algarve a Parar o Tempo”
Exposição de fotografia de João António Fazenda
A Venda de Alcoutim, na Av.ª Duarte Pacheco, em Alcoutim, recebe, de 21 de janeiro a 30 de novembro a exposição de fotografia intitulada “Time Lapses: No Algarve a Parar o Tempo”, de João António Fazenda.
Esta exposição é dedicada à minha terra. Sou algarvio e farense, com muita honra. O Algarve foi desde sempre um tema querido para a minha fotografia e esta é já a quarta mostra que faço dos meus trabalhos a ele dedicados.
É verdade que nasci e cresci num Algarve muito diferente do de hoje: menos “turístico” e, por isso, mais genuíno, mais ligado às suas raízes, quer naturais, quer culturais. Essa ideia do Algarve da minha infância e juventude não a perdi e foi-se refletindo de algum modo na minha fotografia ao longo do tempo. Espero que isso transpareça nas imagens que aqui exponho.
“Time lapses”, o título que dei à exposição, corresponde ao entendimento de que fotografar é fazer um corte no tempo; é, de certo modo, pará-lo, no instante em que se dispara o obturador da máquina. As imagens daí resultantes são pedaços do tempo que ficam nelas retidos.
Neste caso são imagens de um Algarve, fugidio e mutável, real ou sonhado mas sempre belo, captadas por mim, com o meu olhar, com o meu imaginário subjacente, também marcados pelo tempo que passa. Por isso se diz que a fotografia não representa a realidade, mas sim a realidade “filtrada” pelo imaginário do fotógrafo.
Expostos estão também três autorretratos meus, de diferentes épocas, com o simples intuito de dar a perceber como o tempo me foi mudando e isso se refletiu também no meu olhar.
Esta é uma exposição de fotografia a preto e branco porque é essa a minha linguagem fotográfica preferida, a que me fez fotógrafo, a que me fez admirar gerações de grandes fotógrafos, a que considero artisticamente mais criativa. A luz e as trevas, em permanente luta, em constante procura de equilíbrio num mar de cinzentos, dão as “boas imagens” que procuro no ato de fotografar, intuitivo e rápido, visionário. Haverá melhor atmosfera para uma fotografia assim do que a do Algarve, onde o sol e a sombra disputam a primazia nos caminhos?